À ti Belém...

...

Ah! Belém! Belém de Hedilamar, Belém dos açaizeiros, a mais magra das palmeiras, mas de sangue grosso.
Sabe o que eu queria mesmo? Pedir pra você que horas eram. Você responderia e como sempre seguiria um: Por quê? Porque é a hora de eu te dar meu primeiro beijo. A sombrinha cairia, você tremendo e sem reação, você se molharia, sua garganta ia inflamar e olha o tamanho do tapão que eu ia ganhar.
Teu irmão e tua irmã te esperando, e quanto a mim!
Não agi, não levei o tapa, fui andando, que estava na hora do poeta dormir e criar.
Nada na vida da gente acontece por acaso.
Nossos caminhos não se cruzaram por acaso.
Mas mesmo assim talvez eu tenha que usar a mesma porta que usei em 24.12.96. Entrei sem ser notado, mas sairei e serei sempre lembrado. Até um dia, cair no esquecimento.
Nunca fizeram parte do meu currículo as doidas e sofridas despedidas. Prefiro um mimo, achei que seria uma despedida justa por um sentimento injusto. Tomara, tomara não, tenho certeza que guardará este momento para sempre. Pena que não tive coragem e não fui mais insistente. Eu merecia ter te conhecido antes, mas o meu mercenarismo ou simplismente, meu capitalismo selvagem me chama de novo.
Vou tentar a sorte logo ali. Seu aniversário será num domingo. De repente eu venha a ser a surpresa ou um dos presentes, onipresente. A proposta foi tentadora demais e eu tive que seguir a lei do bolso. Sempre fui de seguir as leis do coração, mas ta pintando uma falha. Tem uma musica do Milton que diz assim:

A saudade corta
Feito aço de navalha
O coração fica aflito
Bate uma e outra falha
E os olhos se enchem d'agua
Até as vista atrapalha

Ah! Belém! Belém da inspiração, Belém da musa que tanto procurei. Belém que em pouco tempo verá nas prateleiras de todas as livrarias os dois volumes de boemiologia e boemiologia apaixonada com a assinatura de Haudestar Queiroz.
Coloquei o H pra valorizar e as mesmas nove letras de Hedilamar.
Assim que eu tiver endereço fixo tenha toda a certeza que te escreverei.
Espero que tenha certeza também que eu venho para seu aniversário. Se eu não puder vir, prometo ao menos uma surpresa.
Se os livros passarem pelas editoras e forem publicados os poemas que tem citação ao seu nome, antes disso te procurarei  para uma autorização pessoal sua para poder usar seu nome.
Dila, a felicidade não está na felicidade, mas no alcançá-la, ela é como o eco; responde; mas jamais se apresenta. É um ponto de vista.
Ah! Belém! Belém da Cultura FM que toca sem parar no meu radinho e que enche de poesia e MPB meus ouvidos e meus sonhos.
Ah! Belém! Belém que não me deixou ser feliz nos meus amores, porém, foram infinitos enquanto duraram, mas na hora da dor, de ir embora, na hora da dor de cotovelo a gente não pensa assim. O mundo parece desmoronar e o coração sangra, em mil pedaços. Todavia; Belém; o tempo cura todas as feridas. O tempo! O maior amigo do amor.
Mas a gente não deve viver de lembranças, apesar, dos seus belos olhos cor de açaí. Uma porque o passado já era, já se foi. O importante é o presente que vai devorando o futuro pouco a pouco. Quando a gente tem dez anos quer chegar aos vinte. Dos vinte aos trinta é um passo. Depois é: Ah! Se eu tivesse vinte anos. Dos trinta para os quarenta é um piscar de olhos. Então: Ah! Se eu tivesse trinta anos! Dos quarenta para os cinquenta é uma noite. E novamente os lamentos. Por isso, faça o que tem de fazer, ame o que tem que amar, viva todos os prazeres, hoje! Não se lamente jamais de não ter feito alguma coisa. Tipo eu. Não quis o tapa.
A capacidade de amar não diminui com o tempo. Pelo contrário, eu me considero o mesmo quando tinha só vinte anos. Os sentimentos de amor são os mesmos, só o corpo vai mudando e o vigor já não é mais o mesmo. Aliás, a frase mais bonita que ja li até hoje foi: "O homem não deixa de viver quando morre, mas sim quando perde a capacidade de amar e de sonhar."
É chegado o momento de recolher a rede e procurar novo gancho para pendurá-la.
Ah! Belém, Belém de Hedilamar que tem medo de amar, e uma alma que tem medo do amor é comparável com uma chama, que arde, mas não queima nem clareia.
Nem sempre uma história de amor termina bem. E quem conhece o amor, poderá também, conhecer o outro lado do amor, porque tudo nesta vida é regido pelo Yin e pelo Yang. Quem tem uma frente, sempre tem um verso. Quente e frio, dia e noite, negativo e positivo, homem e mulher.
Assim há o amor e também o desprezo ou desamor.
Nada se assemelha mais ao alcool do que o amor. O antagonismo está em que o alcool embriaga, para depois se apossar do homem; e o amor dele se apossa, depois o embriaga.
Fulano ama ciclana que ama beltrano. Você, certamente, ja deve ter ouvido falar deste triângulo amoroso. Há corações satisfeitos e corações insatisfeitos. Alguém fica sobrando. E isto dói. Dói muito. Mas o mundo não vai acabar por causa disso. O meu problema não é o maior problema do mundo.
O tempo, ah o tempo. Ele se encarregará de me trazer um novo amor e uma nova felicidade.
Quando você ouvir alguém zombar do amor, pense logo que este comediante, ou já foi, ou está para ser a próxima vitima do amor.
Parece um desabafo tudo isto que te escrevo, mas essa dor danada eu desabafo escrevendo esta longa e sem fim, carta de amor.

...

Aqui termina a carta. Tem mais um punhado de rabiscos entre outros detalhes. Mas são frases soltas, nada que complete a carta em si!
Mas há também uma série de poesias que prometo colocar com calma uma a uma.

Fico feliz em saber que de certa forma meu pai foi um herói, em abrir mão de um beijo ou de um tapa, sabendo que iria embora, e não querendo machucar o coração de uma mulher.

Fico muito feliz!

Pai, sinto tua falta pra caramba...

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