Nº. 99



Ela se despediu rápido, chamou o elevador e virou o rosto, de forma a escondê-lo.
- Hei... o que houve?
Ela não deu atenção. Mas ele insistiu. Colocou a mão nos ombros dela e pediu que ficasse mais um pouco. 
- Você sabe que estou indo embora amanhã. Por favor, não se despeça assim... converse comigo.
Ela o olhou com os olhos marejados e disse que não era nada.
- Como pode não ser nada? Você está vazando água salgada!
Ela sorriu. Um sorriso triste. Entrou novamente no apartamento, sentou no sofá e o puxou para perto dela, beijando-lhe a testa.
- Isso está difícil. Só te vejo esporadicamente, nunca há certeza de nada. Essa distância... eu nunca me senti assim com ninguém... você não sabe como está difícil.
- Eu não sei? 
Ele sorriu contrariado e olhando atentamente nos olhos dela.
Ela, sem jeito e tentando se desculpar, o beijou.
- Eu estou completamente apaixonada por você!
- É...eu também. Eu estou completamente apaixonado por você! Que merda!
- Tão romântico! Adoro esse romantismo. - Ela ria.
- Eu não planejei isso. Era pra ir levando... só brincadeira. 
- Eu sei. Também não planejei, mas acabei fascinada.
- Ops! Foi mal. - disse ele, sorrindo.
- É... a vida gosta de pregar peças. E agora?
Ele continuou olhando para ela, tentando gravar na memória cada traço daquele rosto, tentando guardar o exato local da covinha, que aparecia quando ela sorria.
- Agora... voltamos a sentir o coração partido e a saudade arder até que o tempo conserte esse estrago que a distância causa... essa bobagem que a vida fez!
- Você tá vazando água salgada também. - Disse ela, aconchegando-o em seu peito num abraço terno.
A garganta queimava. Ele tentava engolir o choro, como fazia quando criança ao levar bronca após alguma traquinagens.
- Eu sei. Merda!



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