Homens de barba são intrigantes. Especiais. Um menino não pode, por razões óbvias, ser um homem de barba. Um moleque pode menos ainda. Os canalhas enrustidos se raspam tentando eliminar evidências de um animal naquele corpo, enquanto os barbados aceitam, canalhas ou não, a condição selvagem a qual pertencem. O homem de barba anda por aí com menos um fardo, menos uma culpa. “É, eu tenho pelos no rosto. Todo homem tem, aliás. Aquela sensação de bundinha de bebê é falsa, é fake, é uma tentativa de te iludir.” Ele é um abolicionista, um liberto da ditadura da lâmina diária.
O homem de barba, assim como todos os outros, não está prestando atenção no seu relato sobre a mudança de vida que “O Segredo” ou outro livro de autoajuda qualquer te proporcionou. E ele, e é aí que está a diferença, não vai fingir interesse só porque o seu rostinho é bonito ou o seu peitinho é duro. É óbvio que ele quer te levar pra cama, de preferência o mais rápido e sacana possível, mas se pra isso ele tiver que ouvir a sua lenga lenga sobre como é difícil achar cabelo bom e barato para megahair hoje em dia, esquece.
É importante observar que bigode está na moda e, por mais que eu seja também uma grande entusiasta desse adorno facial, acho necessário entender as reais intenções do carinha. Gato pseudo-cult que usa só pra dar uma de moderninho deve ser apreciado com parcimônia (o que não significa que não possa ser degustado, veja bem).
Só sai com homem de barba quem não tem medinho de se espetar e de arranhar a boca em um beijo apaixonado. É necessário maestria no trato de bigodes de suco de abacaxi e outras possíveis recordações da última refeição.
Quando se namora um homem de barba, o dia mais triste da vida é aquele em que ele surta e põe fim a ela. São frequentes os protestos, os muxoxos e os bicos acompanhados de frases como “está feio assim pelado”. Muitas compram briga contra a maldita lâmina a deixam “sem querer” de molho na saboneteira para enferrujar.
E é por esses e mais tantos outros motivos que eu, em nome das mulheres de todo o mundo, faço um apelo: faça amor, não faça a barba.
... papo de barbudos.



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