"Faço de conta que estou dormindo. Assim vejo quando ela chega, entra e começa o ritual. 
Joga a bolsa num canto, tira os sapatos sem colocar as mãos e se joga no sofá. 
Eu, da poltrona, só um olho semiaberto, continuo olhando. 
Ela se levanta vai até a cozinha, pega algo pra beber, volta e senta: 

- Dia longo este! 

Fala e não me olha. Talvez saiba que estou observando, talvez só imagine. 
Levanta novamente e estica as mãos: 

- Vem, vem deitar comigo! 

Nem me dou conta, mas antes mesmo de abrir os olhos já estou de pé, mãos segurando as dela, pronto para me perder no caminho."


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