Na imensidão dessa noite que parece não ter fim, o som da chuva ecoa na janela fechada, cada batuque no vidro é como uma batida do meu coração anunciando a chegada do inverno. O sentimento é verdadeiro e pulsa em meu peito. O desejo emana da minha pele como calor de verão.
Eu queria ter você sob a mira dos meus olhos e gestos. Queria tocar tua pele. Queria te beijar demoradamente. Morder teus lábios. Brincar com os fios da tua cabeça raspada e os pelos da tua barba. Queria ouvir teu suspiro em meus ouvidos. Sentir teu desejo por mim. Sentir tua pele quente na minha e deixar apenas o frio da noite nos envolver e causar pequenos arrepios. Queria sentir tua ereção e o ar safado do teu nariz brincando em meu corpo e absorvendo cada centímetro de meu perfume.
Ouvir somente seus apelos e sussurros. Sentir os puxões em meu cabelo. Queria falar safadezas e brincar com os sonhos de outrora. Deitar ao teu lado. Fazer planos e namorar o teu peito cabeludo. Assim, de calcinha e uma fina camiseta branca de algodão, ficar deitada, abraçada em teu corpo, entre beijos e mordidas, ter pequenos devaneios e deixar a criatividade me levar pra lugares que ainda não conhecemos.
Sentir o pulsar de suas veias e o arfar de seu peito úmido. Queria sentir meu homem assim. Me perder de desejos e apaixonar-me a cada toque. A verdade, a sensibilidade, o carinho e o tesão eram demais para duas pessoas como nós. Mas a vontade era do mesmo tamanho. Tudo pulsava para dois. Em doses iguais.
Como as folhas molhadas de sereno, que se desprendem naturalmente dos galhos com o peso da água, também as ultimas peças de roupa voaram pelo quarto. Entre quatro paredes éramos dois animais sedentos de carne. Mordidas e beijos em cada parte exposta. A calcinha correu fácil entre os dedos hábeis e delicados dele. Estava excitada e cheia de tesão. Escorria pela perna o néctar de meu sexo pedindo que me invadisse e roubasse todo o ar de meu pulmão num suspiro contido até aquele momento. Era dele. Era dela. Eram um do outro e apenas nós dois existiamos naquele momento.
Eu queria beijar você parte a parte. Mordiscar as orelhas. Beijar o canto da boca. Me perder em teus lábios e sentir tua língua loucamente em contato com a minha. Brincar e provocar tua bochecha e o queixo quadrado, bom de morder. Descer em teu pescoço. Provocar. Te deixar excitado. Me querendo. Suas mãos percorrendo loucamente pelo meu corpo. Acariciando minhas costas, meus seios, meus cabelos. Deixei que os beijos se perdessem em teu peito e os dedos procurando o elástico de tua cueca. A mão envolta em teu membro excitado e rijo como rocha. A boca salivando.
Passo a passo. O jogo virou. Como num manual. Me puxou acima, de volta ao beijo. Me segurou como um vaso de vidro com carinho e força. Me jogou na cama. Deitou-me e com as pernas, roçando as minhas, definiu novas regras para aquele jogo. Eu estava excitada. Ele também. Seu sexo roçava o meu, me deixando molhada e querendo ele todo, dentro de mim.
Fez uma viagem tranquila e também turbulenta. A cada beijo que recebia daqueles lábios, uma parte em mim acendia e um pelo novo arrepiava. O desejo era demais. Eu estava em chamas. Louca de tesão. E ele me tinha em suas mãos. O beijo me deixava cada vez mais louca. O toque me incendiava. E ele assim me maltratava com carinhos e beijinhos pelo corpo todo. Foi descendo lentamente. Com as mãos acariciou minhas pernas e fez uma pequena massagem em meus pés.
Passeando de leve e profundamente, desceu beijando minhas pernas, abertas, prontas, entregue àquele homem. Não me deixou opção senão gemer e soltar pequenos gritinhos quando beijou meu sexo. Perdeu-se em lascívia completa me beijando, me lambendo, me seduzindo por completo. Me entreguei por inteira àquele tesão maluco. Deixei aquele homem me transar. Entreguei a ele meu corpo. A alma estava em êxtase. Ele veio com tesão e desejo. Inteiro. Enrolei minhas pernas em torno de seu corpo. O abracei com força. Não precisava de mais palavras. Apenas as mãos falavam. Uma língua que apenas os amantes conhecem. Apenas os suspiros eram ouvidos. O gozo. O silêncio.
Meus olhos e dedos sobre a tua geografia, tamborilavam em carícias. Cada curva, cada elevação, cada pedaço. Assim, cansados, deitados, perdidos em desejo. Suspirando pesadamente e deixando o momento nos absorver. O desejo era de um banho cheiroso a dois na água quente para depois acabar na cama novamente, abraçados sob o edredom. O momento único e sutil de dois amantes.
Lá fora, a chuva continuava. Acordei com o som do micro-ondas apitando algo pronto. Ainda estava escuro, mas um leve perfume de café passado enchia o quarto. Trouxe duas xícaras. Aquele corpo. Apenas uma camiseta branca e a cueca preta que marcava bem as suas coxas. O vapor subia em espirais do café com leite quente. Eu ainda queria mais. E depois desse cochilo eu iria ter...
Nenhum comentário:
Postar um comentário